Autora: Liz W. @_dineinhell
Ship: Chris Cerulli / Ricky Olson
Fandom: Motionless in White
Gênero: slash, angst, romance, terror, thrash horror.
Censura: NC 17
Capítulos: Indefinidos.
Teaser: [...]
Disclaimer: O enredo é meu meu meu. q MIW não é, e se fosse eu não contaria u_u
Notas: Primeira parte de Creatures, como tudo começa.
Notas: Primeira parte de Creatures, como tudo começa.
Capítulo I. Manter-se sem ser queimado
O sol radiava prestes a se pôr, fazendo com que reflexos
arroxeados se formassem entre as nuvens. Aquela era sua parte preferida do dia.
A iluminação solar aquela hora destacava qualquer coisa, e ele refletia se era
um pedido de desculpas do Sol, iluminando lindamente a terra para compensar o
tempo que ficaria fora. Ou talvez até algo meio cruel, quando se pensava que
tudo estava claro e bonito o suficiente, tudo desaparecia e deixava uma
sensação de nostalgia desagradável. Mas não era bem sobre aquilo que costumava
refletir naquela varanda sem vista para nada de interessante. O vazio daquele
lugar, misturado à ternura que o calor do Sol parecia trazer, inspiravam lhe a
escrever aquelas estórias inúteis. Inúteis, sim, porque até Thomas, seu melhor
amigo e borboleta social diária, lhe dizia que para escrever estórias baseadas
na realidade já existiam os diários. E mesmo quando tentava argumentar, dizendo
que diários contar exatamente o que acontece,Thomas dizia que, na verdade, era
onde você podia ser errado sem ninguém para contrariar. Não importava, suas
estórias continuavam sendo uma obra de arte sua, mesmo que sempre que pensasse
nisso pudesse ouvir a risada do amigo em deboche. Tratou,
então, de começar a escrever, ao invés de divagar sobre aquelas coisas que só
lhe faziam perder o pouco tempo que tinha antes de o Sol se pôr. Pressionou a
caneta contra o papel com força, de forma que as palavras saíssem
propositalmente em
garranchos. Ele escrevia com calma, mas seu personagem e alma
não. "Amaldiçoando até o Sol e o calor de que tanto gostava, ele só
desejava voltar à infância ou até à loucura, só para que pudesse ter ao menos
um amigo imaginário. Insensível, franco demais... ele só não queria se sentir o
único a escolher sempre as palavras erradas. Um amigo perfeito e, é claro,
inexist", e a forte corrente de vento o interrompeu, fazendo com que seus
longos fios esvoaçassem sob o rosto, tampando sua visão. Não podia ser uma
tempestade se aproximando. Não quando o Sol era tão forte que qualquer brisa
lhe causava arrepios. Direcionou o olhar para a parte visível de um prédio - um
dos seiscentos que a janela lhe permitia ver -, a luz avermelhada lhe
chamando a atenção imediatamente. Aquilo era fogo?! A caneta escorregou de sua
mão, caindo sobre o telhadinho do apartamento abaixo, enquanto ele só conseguia
manter o olhar fixo nas chamas que começavam a consumir o prédio. Só depois de
um grande espaço de tempo - que ele não soube especificar quanto - ele deixou a
varanda, passando pela cozinha e depois pela grande sala até chegar no
telefone. O arrancou do gancho com as mãos tremulas, lembrando-se que não sabia
o número do bombeiro, resgate ou qualquer que fosse o número que precisava
ligar. Por quê seus pais tinham que ter viajado logo naquele fim de semana?
Tentou então o primeiro número que vinha a cabeça. O de Thomas. O telefone
chamou por um tempo que parecia uma eternidade, até que o outro finalmente
atendeu.
- A-alô? - a voz dele também soava nervosa, o que não o acalmou
muito e ele pensou em perguntar o motivo, mesmo sabendo que ele não iria lhe
contar. Mas um incêndio quase pegando o seu prédio devia ser mais urgente.
- Tj... - tentou controlar o tom de voz, mas ele acabou
saindo quase como um grito. Respirou fundo antes de continuar, ou o esforço não
adiantaria nada, já que o outro não entenderia uma palavra do que ele dizia,
mas não funcionou do mesmo jeito - Tj... o prédio perto do meu... ele tá...
- Você me interrompeu pra contar sobre alguém que você viu
pela janela? - bufou, impaciente - Eu tenho mais o que fazer, Ricky.
- ELE ESTÁ PEGANDO FOGO, TJ. EM CHAMAS. PEGANDO FOGO.
- gritou e o telefone ficou mudo. Ao menos ele tinha entendido. - Olha, eu não
tenho o número dos bombeiros e... o fogo deve estar se arrastando e...
- Tá, calma. - ele pôde ouvir o rangido da cama enquanto o
outro levantava e alguns outros sons vindos de esbarradas que ele dava nos
objetos enquanto caminhava, a demora o deixando mais angustiado - Eu tenho o
número! - falou animado, pigarreando logo depois - Eu tenho o número -
,repetiu, sério - Uh... anota aí, três dois cinco cinco, três cinco dois cinco
- Thomas, tá passando o número das strippers... - uma voz desconhecida
disse no fundo, seguida de uma risada, o que fez ele arquear a sobrancelha,
confuso - Oh, desculpa aí cara, peguei o número das bombeiras, se é que você me
entende. - riu e o outro homem o acompanhou, o que fez Ricky bufar ao telefone,
e então ele apertou o fio do telefone com mais força quando lembrou a gravidade
dos fatos. Mas Thomas continuou antes que dissesse alguma coisa - Uh... okay,
agora é o certo. Uh... - ele ainda parecia rir, o que pensou ser de algo que o
dono da voz desconhecida fazia - é três dois cinco dois trinta e cin...
"Pih, Pih, Pih..." o telefone soou, e
logo se tornou mudo por completo.
- TJ? TJ?! - gritou com o telefone silencioso, arremessando
ele longe logo em seguida.
O fogo já estava próximo o suficiente para que afetasse a
afiação, e mesmo que já pudesse ouvir as sirenes tocando, não queria voltar
para a varanda e se deparar com o fogo ainda tão perto. Caminhou de um lado a
outro da sala sem rumo, até que deu de ombros automaticamente, correndo em
direção à cozinha. Se arrependeu assim que botou os pés e, principalmente, os
olhos lá. O fogo estava muito mais perto do que imaginava, consumindo as roupas
do varal da velha vizinha, - que provavelmente nem sequer havia notado o
incêndio - e se aproximava do caderno aonde antes ele escrevia. E ele sabia que
era um cretino por sequer pensar em se arriscar para salvar alguns pedaços de
papal sem nada realmente importante para alguém que não fosse ele, mas ele foi
mesmo assim. O cheiro daquilo lhe causava uma tosse sufocante, e ele não sabia realmente como conseguia se mover, porque seu corpo parecia não se mais
controlado por ele mesmo. Quando seus dedos alcançam o caderno, porém, ele
sentiu o fogo tocá-los como uma picada, mas ele se recusou a larga-lo mesmo
assim. Conseguiu passar os olhos pelo trecho incompleto que antes escrevia pela
última vez, quase não teve de ver os estilhaços misturados no fogo quando eles
o atingem, o jogando longe no chão da cozinha, o fazendo bater com a cabeça em
um móvel do qual costumava perguntar a utilidade. Abriu os olhos hesitante, e
então vacilou ao ver um desconhecido a sua frente, batendo as costas no móvel
novamente. O desconhecido o encarava sem demonstrar algum sentimento, os olhos
intensamente castanhos parecendo despreocupados demais para os de alguém que
pegava fogo. Esse detalhe ele só percebeu depois - o homem tinha fogo por todo
o corpo, mas ele não parecia sequer sentir. Nada. Ele tentou se levantar,
impedir que o homem se deixasse pegar fogo, mas este o prensou contra o
móvel, o fazendo sentir mais sufocado pela grandeza daquele corpo em cima dele,
o fogo no braço do homem lhe queimando e ele parecendo ainda não dar a mínima
importância. Por quê? E então tudo escureceu.

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